segunda-feira, 9 de março de 2009

teatro das almas de almain

(do escuro surge uma voz muito aguda e embirrenta)

1ªvoz - serei eu quem fui? Será que se quer fui, quem penso ser? fui ou sou?

(uma voz grave, baixa e calma)

2ª voz - és e foste, como eu fui e tu serás.

1ª Voz – como? Serei?

2ª voz – sim serás o que sempre foste pois isso nunca muda...

1ª voz - discordo não penso que seja o mesmo que fui quando era mais novo, era um diabrete!

2ª voz - ainda o és!

1ª voz - Nada! De maneira alguma sou o mesmo!

2ª voz – então diz-me... como acabaste os dias aqui nas almas de almain?

(a luz acende-se e vê-se apenas uma pessoa gorda no palco e é dona da segunda voz)

2ª voz - não penses que todos acabam aqui irmão...

1ª voz - quem és tu? Como sabes o que fiz? Sabes? E onde é que estás?

2ª voz - eu sou um de vós, sei parcialmente, e tu, tu é que não estás..

1ª Voz – estar? E tu, tu estás?

2ª voz – agora sim...

(as luzes apagam-se)

2ª voz – agora não...

1ª voz – que raio de brincadeira é esta? mas tu és Deus?

2ª voz - (ri-se) Sou tão Deus como tu...

1ª voz - então como raio sabes?

2ª voz - eu vi porque estava lá.

1ª voz - vivo? Ou morto?

2ª voz – que eu saiba ainda estamos vivos...

1ª voz – então e a conversa de estar e não estar?

2ª voz – enquanto houver fala e dialogo acredito na minha vida.

1ª voz – quem é você? Como sabe o que sabe?

2ª voz – não dês tanta importância irmão...

(a luz acende-se e desta vez a personagem em palco é magra e idosa é dona da primeira voz)

1ª voz - aahhh! Que horror! Mas onde estou eu agora??

2ª voz - agora existe você e eu não. (tom de quem sabe muito do assunto e de quem chama burro ao outro)

1ª voz - isto de facto é mais bonito aqui, mas isto é assim, um existe depois outro não..
(interrompida)

2ª voz – nem sempre, já me encontrei com muitos aqui, ou ai neste caso.

1ª Voz – diga lá, se estamos vivos à maneira de voltar-mos ás ruas?

2ª voz – sinceramente, depois do que fez pedir isso, não é um pouco de mais?

1ª voz – Á pois é! Você sabe!

2ª Voz – se sei!

1ª voz – só não sei como...
(apagam-se as luzes)

1ª voz – olha, já não existo outra vez... Mas diga lá eu conheço-o?

2ª voz – como disse antes isso é pouco importante,

(interrompido)

1ª voz – o que é importante então aqui? Nas ditas almas de amain?

2ª voz – (surpreendido) estava a ver que nunca mais lá chegava, o importante é falar com o outro neste caso, eu sou o seu "outro" e você e o meu. Nesta fala um vai vencer, como numa luta de gladiadores, e outro vai deixar de existir por completo, nem fala.

1ª Voz – mas então você é um vencedor?

2ª voz – podemos dizer que tenho 12 vitórias aqui e zero derrotas.

1ª Voz – como sabe o que acontece a quem perde?

2ª voz – disse-me um dos 12 de quem venci.

1ª Voz – esse 1 já tinha vitórias?

2ª voz – obviamente, só jogando se percebe as regras.

1ª Voz – como se ganha?

2ª voz – Acha-me estúpido? Pensa mesmo que lhe vou dizer?

(as luzes acendem-se e desta vez estão os dois em palco)

coro – existimos!

1ª voz – eu não tenho experiência alguma neste jogo, você está em vantagem!

2ª voz – agora vejo como é... isso pode ser outro trunfo contra si, se soubesse as regras talvez ganhasse..

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para continuar tentativa de texto em modo dramatico

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